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AUTISMO EM MENINAS

Camuflagem: o comportamento que pode dificultar o diagnóstico.

O autismo foi descrito pela pri-meira vez em 1943 pelo psiquiatra Austríaco Leo Kanner e desde então verifica-se que a incidência é maior entre meninos.

O Transtorno do Espectro do Autismo tem origem multifatorial, é hereditário com influência gené-tica e sabemos que há possi-bilidade de mutações como um desses possíveis fatores.

Em 26 de Fevereiro de 2014 a revista American Journal de Human publicou o artigo que introduz a pesquisa sobre as mutações que desencadeiam o autismo, nele consta que é preciso mais mutações para que ocorra o autismo em mulheres, o que possivelmente explicaria a incidên-cia maior em homens.

Outro objeto de pesquisa é a observação na qual meninas apresentam poucos prejuízos cognitivos, e passam a infância com rótulos de “tímidas”, muito quietas, depressivas, ansiosas, pouco aptas as interações sociais e que ficam sem diagnóstico ou os obtém de maneira tardia, mesmo apresentando de forma “branda” os critérios para TEA, que seriam déficits persistentes na comunicação e interação social, padrões restritivos, repetitivos e alterações sensoriais. Na ado-lescência ocorre o comportamento descrito como camuflagem, que seria um tipo de esforço de adaptação as exigências das demandas sociais.

A camuflagem é um com-portamento utilizado para disfarçar as características do autismo, sem dúvida é uma estratégia auto-consciente, conteúdo exige esfor-ço e impacta na energia emocio-nal trazendo sofrimento e exaus-tão.

Este comportamento pode ocorrer através de um mecanismo de compensação onde a jovem autista cria um roteiro mental com comportamentos e falas que podem ser bem aceitas e facilitar interação social. A diferença entre as estratégias de socialização naturais e a camuflagem é que na segunda, há o esforço, o mimetismo e um sentimento de inadequação.

Outra forma é o mascaramento, na qual a jovem faz o monitoramento intenso e contínuo das expressões corporais e faciais, com o intuito de não expor suas características, seus apegos a rotina, estereotipias ou demais características do autismo. Há também a assimilação que se trata de uma atuação, onde o indivíduo atua em um determinado contexto social, por meio de estratégias elaboradas, com objetivo de passar uma impressão de interação social.

Entender o autismo em mulheres colabora para um diagnóstico precoce, intervenção adequada, mudança no prognóstico e gera um impacto social imenso.

Adriana Chalela
CRP49555

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