Nosso Blog

FAMÍLIAS COM MEDO DA ABA!

A Análise do Comportamento Aplicada é uma ciência, e como tal, tem em si inúmeras metodologias para intervenção e tratamento, modificação e modelação do comportamento humano.

No Brasil uma das práticas que tem se tornado muito popular para a intervenção e tratamento das pessoas com TEA é o DTT – Ensino por Tentativas Discretas, que pressupõe em sua estrutura, a apresentação de um estímulo pelo terapeuta, emissão de resposta do paciente, e consequência que pode ser o aprendizado por reforçamento. Essa metodologia necessita de alguns requisitos, como avaliação dos pacientes para verificar o que ele faz ou não faz, qual tipo de auxílio necessitará, um ambiente sem excesso de estímulos, a utilização de um motivador ou reforçador previamente selecionado e a divisão em várias unidades de tentativas.

Para a modificação e aquisição de comportamento também se faz necessário o controle dos dados observados, portanto, tudo é registrado. Segundo Cooper, Heron e Heward (2020), temos algumas formas de medição por: contagem (número de vezes que resposta ocorre), frequência (número de vezes que resposta ocorre em um período de tempo), duração (quantidade de tempo que resposta ocorreu), magnitude (a força da resposta), latência (quantidade de tempo que passa entre um estímulo e a resposta), topografia (a forma da resposta, como o comportamento ocorre). Esses dados coletados nos indicam se há mudança e em qual prazo se deu a evolução.

 No Brasil essa metodologia é popularmente chamada de ABA “mesinha”, e em nada tem a ver com a imposição de um ambiente hostil para criança, o que de certa forma, estigmatiza a Análise do Comportamento Aplicada ao ponto de deixar famílias com receio. E como diria minha vó, “Não jogue o bebê junto com água da bacia!”, isto é, cabe a nós profissionais, os devidos esclarecimentos sobre a ABA que é vasta em metodologias e que apresenta 23 práticas com evidências científicas para a intervenção no TEA, ou seja, o DTT, é apenas umas delas.

O Ensino por tentativas discretas se presta muito bem para o ensino de diversas habilidades, principalmente o repertório de comportamento básico, como sentar, esperar, as habilidades de atenção, e demais habilidades tão necessárias para vida acadêmica. A posição de aluno depende destes ensinos, assim como para o ensino e desenvolvimento da comunicação, interação social e autocuidado. Imagine como um passeio em família acontece quando a criança consegue sentar e esperar!

Um outro cuidado pertinente a metodologia é esvanecimento de dica, ou seja, o paciente recebe auxílio para emitir a resposta correta, porém não deve ficar dependente destas dicas, para isto, os auxílios são desbotados aos poucos. Ao contrário do “mito”, o DTT não robotiza a criança, pois a intenção é desenvolver a autonomia  e o prazer da criança em realizar a própria atividade.

É Importante salientar que após a avaliação diagnóstica e de repertório, as metodologias a serem aplicadas são definidas. Para cada paciente há um plano terapêutico específico, pois cada autista é único.

No mais, não acreditamos em Ensino que não seja por motivação. A alegria, afeto, amor são os maiores motivadores.

Para se empregar um DTT com feito, é preciso cuidar para que a criança não se sinta forçada a nada, redes neurais não se formam em ambientes hostis.

Nossos terapeutas são treinados para serem motivadores através de reforço social (elogios, carinho, olhar atencioso, palavras afetivas), assim como existe um checklist de sondagem para verificação deste ambiente, para que ele seja o mais agradável possível.

Podem ficar tranquilos!!! Além desta que é uma prática muito eficaz, existem outras metodologias para ensinar o que nossos filhos precisam adquirir de repertório comportamental, e a ABA oferece algo personalizado, se assim não for, não é a ABA.

Adriana Chalela
CRP 495553

Fale agora conosco!