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TEA e a Apraxia da Fala na Infância

Vivemos em uma sociedade oralizada, falar é significativo para comunidade na qual estamos inseridos e talvez seja a forma mais tranquila de comunicação. Definitivamente não é a única forma de comunicação, porém como temos a prática da fala como a “comum” ela tem importância inquestionável e é preocupação das famílias quando falamos em autismo.

No autismo o prejuízo na comunicação e na interação social é um dos pilares do diagnóstico e a Apraxia da Fala Infantil – AFI pode ocorrer como comorbidade, que traz confusão no diagnóstico. Importante salientar que nem todo autista irá apresentar AFI porém é uma comorbidade possível, portanto deve ser investigada caso haja indícios e sinais desta condição. Comorbidade é a coexistência de outro distúrbio junto com TEA.

AFI não ocorre apenas no TEA, é um distúrbio neurológico que pode ser definido como um erro na produção de consoantes e vogais, devido ao déficit na consistência e precisão dos movimentos necessários para fala, quando há ausência de déficits  neuromusculares.

Existe uma dificuldade perceptível, observável na criança em planejar voluntariamente a sequência dos movimentos musculares necessários para fala acontecer. Essa sequência é realizada a priori quando o cérebro comunica aos músculos a ordem correta, o tempo dos movimentos, para que os sons sejam sincronizados, com precisão. Tudo isso é feito em milésimos de segundos, esse processo se inicia quando a criança começa a falar, porém a criança que é portadora AFI tem interferência nesse planejamento e execução portanto os sons são prejudicados ou seja ela tem reduzida a capacidade de produzir corretamente sílabas e palavras.

Existem características peculiares na AFI que devemos ficar atentos:

Produções inconsistentes de consoantes e vogais, falando a mesma palavra de várias formas por exemplo: Abelha “Abeia”  “Abea”

Acentuação inadequada, que é alteração na prosódia, com fala mecanizada, por exemplo: Bola – a criança fala bolá

Pausas desnecessárias entre sons e sílabas por exemplo: “Que….ro!”

Quem faz o diagnóstico de AFI? O profissional de fonoaudiologia, que tem experiência em linguagem infantil, motricidade orofacial, distúrbios motores da fala e os demais na equipe interdisciplinar farão a investigação das  questões relativas ao diagnóstico periférico relativo a motricidade global e final e de Integração Sensorial,  para o posterior  planejamento e intervenção adequada.

O diagnóstico de AFI é clínico, realizado por meio de histórico do paciente de uma avaliação rigorosa, avaliação de linguagem oral em todos os níveis (vocabulário, fonologia, gramática, uso funcional da comunicação, características discursivas), avaliação dos aspectos fonéticos (sons da fala) maturidade simbólica, avaliação da motricidade. Questões relacionadas à alimentação, mastigação, hábitos, coordenação motora ampla e fina são investigadas, assim como questões da Integração Sensorial.

Quanto mais cedo o diagnóstico o progresso tiver melhores avanços. A AFI como comorbidade no TEA traz um agravante na intervenção para aquisição da fala porém é necessário o diagnóstico diferencial para que a intervenção seja assertiva, com planejamento nas diversas aquisições necessárias.

Adriana Chalela
CRP 495553 

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