O que é psicomotricidade?

O que é psicomotricidade?

Psicomotricidade

Um(a) especialista em psicomotricidade é um profissional da àrea da educação ou da área da saúde habilitado pelo Ministério da Educação para atuar na área.

A psicomotricidade é sobretudo um conceito, parte das Ciências Sociais. A psicoterapia é focada na mediação corporal, e portanto, baseia-se na inter-relação entre as funções motoras e a individualidade psíquica do indivíduo, afinal a o corpo é considerado a âncora sensorimotor, isto é, baseado em experiências emocionais, cognitivas e sociais. Mais do que a valorização do corpo e suas funções, o que há é uma abrangência global do assunto, valorizando de forma central a aquisição de novos conhecimentos corporais, ampliação do repertório motor e o conhecimento global do individuo, ou seja, suas expressões integrais nas suas vertentes sociais psíquicas, motoras e afetivas, tal como sua vida psíquica e emocional. Sendo assim, a terapia psicomotora contribui para a redescoberta do equilíbrio entre as habilidades motoras e psicológicas, permitindo uma melhor adaptação ao paciente. Quanto maior for essa conexão, melhor será interação com o ambiente de acordo com sua capacidade e potencial.

Desde 1988 os tratamentos propostos são validados pelo Decreto de Competências da Área de Psicomotricidade, visando: Educação infantil, estímulo e despertar psicomotor, reeducação e tratamento de distúrbios psicomotores.

Mas afinal, Psicomotricidade para quem?

Um psicomotricista pode trabalhar com pessoas de qualquer idade:

  • Recém-nascidos prematuros: Traumas causados por um parto prematuro, a relação entre pais e filho pode ser modificada em âmbitos psicológicos. O psicomotricista nesse caso pode incentivar o envolvimento dos pais oferecendo uma avaliação das capacidades do recém-nascido, introduzindo estímulos adaptados para incentivar a comunicação e exploração do mundo circundante através do relacionamento. Isto é, o objetivo é reconstruir o vínculo que foi abalado por algum motivo.
  • Crianças jovens: O psicomotricista é licenciado para tratar atrasos ou lacunas no comportamento psicomotor, tratando aquisições ou déficits em uma ou várias habilidades motoras como lateralidade, movimento, etc. Pode tratar também casos de paralisia cerebral, doenças genéticas e desenvolvimento tardio. O psicomotricista também pode tratar pacientes com distúrbios de comunicação, habilidades de escrita, hiperatividade, problemas de concentração. Outros casos também podem ser tratados com psicomotricidade, como TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), TEA (Transtorno do Espectro Autista), Transtorno do Desenvolvimento Pervasivo, entre outros.
  • Adolescentes: O psicomotricista é capaz de auxiliar problemas que muitos adolescentes encontram em relações inter ou intrapessoais, isto é, problemas consigo mesmo, com a família, ambiente social, ou situações como problemas emocionais, anorexia, distúrbios psiquiátricos, etc.
  • Adultos e idosos: O psicomotricista também possui habilidades em áreas como memória (Alzheimer), equilíbrio (prevenção de quedas), estresse (provendo relaxamento), imagem corporal (distúrbios psiquiátricos como esquizofrenia), espaço e tempo (desorientação espaço-temporal de pacientes com demência).

Psicomotricidade e autismo

A psicomotricidade como vimos possui uma participação fundamental nas funções globais do cérebro. Por isso, tal abordagem se torna muito eficaz em crianças autistas, por exemplo, já que suas bases vão de encontro diretamente com as demandas correspondentes. A psicomotricidade auxilia a compreensão e reajuste de impulsos, percepções espaciais e limitações espaciais. Por consequência, há uma evidente melhora na interação com o meio e com o outro, organizando as ações e expressões.

Sendo assim, através da psicomotricidade, o indivíduo com TEA consegue ter maior noção de sua consciência corporal dentro de um grupo, contexto, ou ambiente, facilitando até mesmo uma melhor compreensão de si. Para tal, os psicomotricistas utilizam de estratégias individuais, baseadas nas demandas de cada um, para romper certos limites e aprimorar habilidades naturais. Algumas brincadeiras como pular corda, por exemplo, podem parecer simples, entretanto através de atividades assim que a criança desenvolve e percebe os limites entre seu eu e o meio em que habita/convive. Além disso, há o exercício de naturalizar o contato visual, desenvolver a capacidade de agir (iniciando e finalizando processos), promovendo o que é chamado na área de estimulação sensorial.

É importante ressaltar quão relevante é o papel dos pais, familiares ou cuidadores nesse processo, já que eles(as) não só explicarão as demandas e histórico do paciente, como também serão orientados para manter esses exercícios dentro de casa, trazendo constância à evolução.

A história da Psicomotricidade

A primeira vez que o termo “psicomotricidade” aparece em um discurso médico (neurológico) foi no início do século XIX, quando começaram a haver nomeações das zonas do córtex cerebral além de regiões motoras.

A partir do momento que a neurofisiologia começou a ganhar mais atenção na área da medicina, observa-se que algumas disfunções graves podem acontecer mesmo que não haja lesão cerebral (ou lesão claramente localizada).

A conclusão que se chegou a partir dessas observações é que a análise “anátomo-clínica” (cada sintoma em teoria deveria ter uma lesão local) não mais poderia justificar algumas patologias que ocorriam.

Ao perceber essas incongruências é dita pela primeira vez, em 1870, a palavra “Psicomotricidade”, observando a necessidade de uma área da medicina que justifique certos fenômenos clínicos.

Foi em 1909 que o psiquiatra francês Ferdinand Pierre Louis Ernest Dupré (considerado por muitos o pai da Psicomotricidade) afirma que aquilo que antecede um sintoma psicomotor vêm de uma possível causa neurológica.

Posteriormente, em 1925, o filósofo, médico e psicólogo parisiense Henri Paul Hyacinthe Wallon demonstrou a importância do movimento para o desenvolvimento da psique infantil, e não obstante, para a construção da sua imagem corporal. Wallon afirmou que as relações do sujeito com o meio ambiente estão intrínsecas às suas habilidades motoras e psíquicas. Em uma de suas obras, Wallon afirmou que sua expressão corpórea está absolutamente correlata com a expressão de sua psique.

10 anos depois, em 1935, o neurologista Edouard Guilmain desenvolveu um exame psicomotor com o intuito de diagnosticar, indicar terapias e o prognóstico. Já em 1947 o psiquiatra espanhol Julian de Ajuriaguerra passou a definir o conceito de “debilidade motora” como uma síndrome com particularidades próprias. Isto é, ele delimita os transtornos psicomotores que transitam entre o psiquiátrico e o neurológico. A psicomotricidade então passa a se diferenciar de outras disciplinas, possuindo então sua própria autonomia e especificidade.

Já na contemporaneidade, na década de 70, a psicomotricidade passa a ser vista como uma motricidade de relação, e é a partir daí que começa a ser definida a diferença entre postura terapêutica e postura reeducativa, deixando um pouco de lado a técnica instrumentalista e preocupando-se com a progressão do corpo do sujeito junto à afetividade emocional. Sendo assim, passa-se a ter a perspectiva de que a criança é construída através das interações com o mundo e, junto a isso, nas ações e relações com o outro.

Onde encontrar Psicomotricidade?

Nós da clínica Religare contamos com os melhores psicomotricistas do mercado para acolher e atender toda a sua família. Após entrevista e avaliações, analisaremos quais são as demandas que devem ser trabalhadas para que o tratamento seja iniciado o quanto antes. Além disso, contamos com uma equipe interdisciplinar para promover a melhor evolução possível. Isto é, nossos profissionais de psicomotricidade estão sempre alinhados com nossos terapeutas de Psicopedagogia, Terapia ABA, Modelo Denver, Fonoaudiologia (e cabine de fonoaudiologia), Hidroterapia, Fisioterapia, Musicoterapia e Terapia Ocupacional. Não só isso, também contamos com psicólogos para atender também familiares, pais e cuidadores!