Terapia ABA

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Terapia ABA

Terapia ABA

Utilizada no mundo todo, a Terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada) é capaz de apresentar resultados significativos no desenvolvimento dos pacientes, promovendo o bem-estar e autonomia.

Mas afinal, o que é Terapia ABA?

ABA vem do inglês Applied Behavior Analysis (Análise do Comportamento Aplicado) e é uma terapia/método baseado na ciência do aprendizado e do comportamento.

O que essa análise nos ajuda a compreender?

Entre suas compreensões, é possível citar:

  • Como funciona o comportamento
  • Como o comportamento é afetado pelo ambiente
  • Como ocorre o aprendizado

A Terapia ABA, portanto, nos ajuda a entender como o comportamento ocorre em situações reais. O intuito é desenvolver os comportamentos que são positivos para a vida da pessoa (e aquelas ao seu redor) e diminuir os comportamentos que são danosos ou afetam a aprendizagem.

No que a Terapia ABA pode auxiliar?

  • Aumentar as habilidades de linguagem e comunicação
  • Melhorar o foco, atenção, habilidades sociais e acadêmicas, memória, etc.
  • Diminuir problemas de comportamento

O método têm sido estudado e utilizado por décadas por ter ajudado diversos tipos de pessoas a terem novas habilidades (mais saudáveis e aprendendo novas formas de linguagem). Terapeutas utilizam ABA para auxiliar crianças com autismo desde, no mínimo, a década de 60 do século passado.

Como a Terapia ABA funciona?

A Análise do Comportamento Aplicado envolve diversas técnicas para compreender e alterar o comportamento. ABA é um tratamento flexível, afinal:

  • Pode ser adaptado para as necessidades únicas de cada pessoa
  • Pode ser aplicado em diferentes locais (casa, escola, clínica, etc)
  • Desenvolve habilidades úteis no dia-a-dia
  • Pode envolver terapia apenas entre terapeuta-paciente ou em grupo

Reforço Positivo

O reforço positivo é uma das principais estratégias utilizadas na Terapia ABA.

Quando um comportamento é seguido por algo de valor (como uma recompensa) a pessoa tende a repetir esse mesmo comportamento. Com o tempo isso incentiva a mudança positiva de comportamento.

Primeiro, o terapeuta identifica um comportamento como meta. Cada vez que a pessoa utilizar o comportamento ou habilidade com sucesso, ela ganha uma recompensa. A recompensa tem sua significância individual, isto é, a importância desta recompensa varia de acordo com o que deixa aquela pessoa feliz, como um elogio, um livro ou brinquedo, assistir um vídeo, ir ao parquinho ou outro local, etc.

Recompensas positivas encorajam a pessoa a continuar usando aquela habilidade e com o passar do tempo aquele comportamento tende a se tornar natural.

Antecedente, Comportamento, Consequência

Entender antecedentes (o que acontece antes do comportamento ocorrer) e consequências (o que acontece depois do comportamento) é outra parte fundamental da Terapia ABA.

Os seguintes passos “A-C-Cs” nos ajuda a entender o comportamento:

  • Um antecedente é o que ocorre logo antes do comportamento “alvo”, isto é, do comportamento a ser trabalhado. Esse antecedente pode ser verbal – como um comando ou pedido, pode ser físico como um brinquedo ou objeto, luz, som, ou qualquer ocorrência no ambiente. É importante lembrar que um antecedente pode vir não só do ambiente, como também de outra pessoa ou internamente (como um pensamento ou sentimento).
  • Um comportamento resultante é a resposta – ou falta dela – em relação ao antecedente. Ela pode ser uma ação, verbal, resposta, etc.
  • Uma consequência é o que ocorre diretamente após o comportamento e ela pode incluir um reforço positivo do comportamento desejado ou não gerar reação por respostas incorretas/inadequadas.

Entender os “A-C-Cs”, portanto, nos ajuda a entender:

  • Por que o comportamento está acontecendo
  • Como diferentes consequências podem afetar quando o comportamento ocorrerá novamente

Por exemplo:

  • Antecedente: O professor diz “é hora de arrumar os brinquedos” no fim do dia.
  • Comportamento: O aluno grita “não!”
  • Consequência: O professor remove os brinquedos e diz “Ok, acabou a hora de brincar”

Como poderia a Terapia ABA auxiliar o aluno a aprender de forma apropriada o comportamento na situação?

  • Antecedente: O professor diz “é hora de arrumar os brinquedos” no fim do dia.
  • Comportamento: O aluno é lembrado de perguntar “posso brincar por só mais 5 minutos?”
  • Consequência: O professor diz “é claro que você pode ter mais 5 minutos”

Com prática contínua o aluno será capaz de repor o comportamento inapropriado com um mais prestativo, preocupando-se com o ambiente. Essa é uma forma fácil de fazer o aluno chegar onde precisa, desenvolver autonomia e atingir suas metas.

O que a Terapia ABA envolve?

Uma boa Terapia ABA voltada ao autismo não aplica uma única abordagem para todos os pacientes. O método não deve ser visto como um conjunto de exercícios padronizados ou pré-estabelecidos, afinal, o que acontece é o oposto, cada planejamento é feito para conhecer e reabilitar as necessidades individuais de cada um.

O objetivo da Terapia ABA é ajudar cada pessoa a trabalhar em habilidades que ajudarão elas a se tornarem mais independentes e bem-sucedidas tanto em curto prazo quanto a longo prazo.

Planejamento e Avaliação Contínua

Um(a) profissional ABA qualificado e com boa formação é capaz de desenvolver e projetar diretamente um bom planejamento. Ele(a) é capaz de customizar o planejamento para a habilidade, necessidade, interesse ou preferência individual daquela pessoa e da situação familiar.

Isto é, o(a) terapeuta ABA fará uma avaliação detalhada para as habilidades e preferências de cada pessoa e usará disso para confeccionar um tratamento especifico com metas individuais. É importante ressaltar que as metas das famílias, assim como suas preferências, também podem ser incluídas no planejamento.

As metas criadas durante o tratamento são baseados na idade e nível de habilidade de cada pessoa com TEA. As metas podem incluir diferentes tipos de habilidades a serem desenvolvidas, como:

  • Linguagem e comunicação
  • Habilidades sociais
  • Cuidado de si (como autonomia para tomar banho ou utilizar o banheiro)
  • Brincadeiras e lazer
  • Habilidades motoras
  • Aprendizado e habilidades acadêmicas.

O plano de instrução divide cada uma dessas habilidades em pequenas etapas (ainda assim concretas). O terapeuta portanto ensina cada etapa, uma por uma, do mais simples (como imitar sons únicos) para os mais complexos (como manter uma conversa fluida).

O terapeuta ABA junto a terapeutas de outras áreas irão mensurar o progresso do paciente e coletar os dados em cada sessão de terapia. Os dados ajudam todos os profissionais envolvidos, assim como a família, a analisarem e continuarem progredindo com a criança em direção às metas estabelecidas.

O analista do comportamento portanto deverá encontrar os membros da família regularmente para que possam programar o plano terapêutico e revisar informações do progresso. Relembrando que a família pode ajustar e planejar as metas junto com os terapeutas.

Filosofia e técnica do método ABA

O terapeuta ao aplicar o método ABA para os pacientes tende a utilizar uma variedade de procedimentos, sendo alguns dirigidos pelo próprio instrutor e outros pela pessoa com TEA.

Parentes, membros da família e cuidadores também recebem o treinamento para que possam aplicar o que aprenderam no dia-a-dia da criança, afinal é fundamental que haja a conexão entre clínica, casa e escola, por exemplo.

Sendo assim, a criança/adolescente com TEA terá inúmeras oportunidades de aprender e praticar suas habilidades durante o dia. Isso pode acontecer naturalmente ou em situações planejadas. Por exemplo, uma criança que está aprendendo a saudar os outros dizendo “olá, tudo bem?” pode ter a chance de praticar esta habilidade na sala de aula com o professor (situação planejada) ou com outras crianças em um parquinho (situação natural).

Portanto, a criança recebe inúmeros reforçadores positivos ao demonstrar suas habilidades e comportamentos socialmente apropriados, tendo como ênfase as interações sociais positivas e o bom proveito no aprendizado. Comportamentos que possam ser danosos ou impedem o aprendizado não recebem nenhum tipo de reforço.

É importante ressaltar que a Terapia ABA é efetiva não apenas para crianças, podendo ser aplicada em todas as idades, da fase infantil à fase adulta.

Quem é capaz de prover o tratamento ABA?

Apenas quem possui certificado de pós-graduação em Terapia ABA pelo conselho local ou estagiários de Psicologia supervisionados por um terapeuta ABA licenciado, portanto, para ter licença como Terapeuta ABA é necessário seguir os seguintes itens:

  • Possuir graduação em Psicologia
  • Possuir pós-graduação, mestrado ou doutorado em Terapia ABA
  • Ser aprovado no exame do método ABA
  • Ser credenciado no Conselho de Certificação (BCABA, BCBA, BCBA e D ou placa certificada por um analista com doutorado).

Portanto, um terapeuta ABA é treinado e supervisionado por um profissional que possui um dos certificados acima e que trabalham/trabalharam com crianças ou adultos com TEA para colocar em prática e adquirir conhecimento.

Quais são as evidências de que a Terapia ABA funciona?

A Terapia ABA é considerada um tratamento de melhores práticas “Evidence-Based” (baseadas em evidências) pelo US Surgeon General e pelo American Psychological Association.

Evidence-Based (baseado em evidências) significa que o método passou por inúmeros testes científicos para comprovar sua utilidade, qualidade e eficácia. Todas as técnicas tiveram como foco os antecedentes e consequências.

Mais de 20 estudos estabeleceram que as terapias intensivas e de longo prazo que utilizam os princípios da Terapia ABA melhoram os resultados de muitas crianças com autismo.

“Intensivo” e “longo prazo” se referem a programas que fornecem de 25 a 40 horas por semana de terapia por 1 à 3 anos. Esses estudos mostraram ganhos expressíveis no que se refere a funcionamento intelectual, desenvolvimento de linguagem, habilidades para a vida diária e habilidades sociais. Mesmo nos “poucos” estudos com adultos autistas utilizando o método ABA os resultados foram similares.

Que questões devo fazer ao buscar tratamento ABA?

Dentro da instituição que provê esse tipo de tratamento, é importante analisar se o ambiente e planejamento serão acolhedores para toda a família. Portanto, o primeiro passo é que o(s) terapeuta(s) estabeleçam uma boa relação com a criança. Se a criança confia em seu terapeuta e gosta de passar o tempo com ele(a) a terapia não só terá mais chances de ser bem-sucedida como também será mais divertida!

As seguintes questões podem te auxiliar a avaliar se a instituição será acolhedora com sua família:

  • Quantos terapeutas ABAs licenciados existem na equipe?
  • Esses terapeutas possuem as licenças/certificados necessários?
  • Quantos terapeutas comportamentais trabalham aqui?
  • Quantos terapeutas trabalharão com meu filho(a)?
  • Que tipo de treinamento os terapeutas recebem e com qual frequência?
  • O quanto de supervisão os terapeutas recebem dos supervisores ABA semanalmente?
  • Como a instituição gerencia as preocupações com a segurança?
  • Como funciona uma sessão típica de Terapia ABA?
  • Vocês oferecem terapia em casa ou na clínica?
  • Como vocês determinam as metas para meu filho(a)? Vocês consideram as opiniões dos pais?
  • Com que frequência vocês reavaliam os objetivos estabelecidos para a criança?
  • Como funciona a avaliação do progresso? Com que frequência?
  • Quantas horas por semana de terapia vocês fornecem?
  • Vocês possuem lista de espera?